Lições de Michael Jordan Para Criar Equipes Vencedoras e Profissionais Incríveis

Quando pensamos em Michael Jordan e no Chicago Bulls, qual o primeiro pensamento que nos vem à cabeça? Vitórias? Títulos? Campeões? É verdade, mas será que é só isso? Só podemos dizer isso de toda a história de um dos atletas mais bem sucedidos de todos os tempos e de uma das franquias mais vitoriosas da NBA? E o mais importante, o que podemos aprender de toda essa história? Recentemente a Netflix liberou a série The Last Dance, um documentário de 10 episódios focado principalmente no último campeonato conquistado por Michael Jordan (MJ) e os Bulls, mas que tem flashbacks que mostram desde a chegada do astro ao time até seu último arremesso.

Assistindo à série, sempre procurando algo mais, notei que ela tinha diversas lições que poderiam servir de exemplo na nossa vida profissional e no mundo corporativo. Histórias de liderança, persistência e trabalho em equipe que estavam sendo contadas. Então, tomei como objetivo que, a cada episódio, eu tinha que captar pelo menos uma lição. O resultado foi espetacular.

Episódio 1

Se você não for o número 1, se esforce o suficiente para ser

Na NBA, no final de cada temporada existe um sistema de escolha de novos jogadores que se chama Draft. O pior time do campeonato anterior é o primeiro a escolher no próximo ano, teoricamente escolhendo o melhor jogador. É uma tentativa de equilibrar o campeonato. MJ foi a 3ª escolha do draft de 1984. Ele foi preterido duas vezes, mas mesmo não sendo a primeira escolha, Jordan decidiu que viveria sua carreira de atleta, trabalhando, treinando e aprendendo para ser o número 1 em todos os aspectos. O quanto nós temos que treinar, estudar, nos capacitar para nos tornarmos o “MVP” (Most Valuable Player – Jogador Mais Valioso) da nossa empresa, da nossa equipe? Se você não foi a primeira escolha do Draft Empresarial, não tem problema, tenha isso em mente e se esforce para ser o MVP. Transforme isso em combustível para te motivar.

Episódio 2

Qual o seu legado?

Quando falamos sobre a busca pelo propósito, com frequência fazemos a pergunta “que legado você quer deixar no mundo?”. Como você quer ser lembrado quando isso acabar?

Você conhece Jerry Krause? JK era o general manager do Bulls, ele escolheu e contratou quase toda a equipe do Bulls, mas ainda assim era odiado pelos jogadores, criava um clima de tensão, desvalorizava os jogadores, dava declarações destrutivas na mídia. O legado de MJ todos conhecemos, mas JK, apesar de ter escolhido um time de campeões, ficou conhecido como mais um adversário que o time do Bulls precisava vencer, um vilão para os que trabalham com ele.

Valorize a sua equipe

O que acontece quando você tem um membro valioso na sua equipe, mas ele não recebe o devido reconhecimento? Desmotivação? Desligamento? Scottie Pippen com certeza absoluta foi o segundo maior jogador da sua geração, ficando atrás apenas de MJ. Apesar de todo o seu valor em quadra, das vitórias e títulos que Pippen ajudou a conquistar, e o desejo de outras franquias terem o jogador, Pipen estava abaixo do 100º salário da NBA, e isso tudo o afetou muito. Ele teve problemas de motivação, abandonou os colegas algumas vezes e cometeu erros calculados. Por exemplo, quando tirou férias, mas no começo da temporada foi operar o pé, deixando o time na mão durante quase toda a temporada. Não é apenas a questão financeira que é levada em conta, mas como esse valiosíssimo ativo da corporação foi tratado.

Episódio 3

Reconheça seus erros e pontos fracos

Dennis Rodman foi “O” jogador mais controverso que passou pelo time campeão do Bulls. Eventualmente sumia por diversos dias, saía dos jogos e “caía na farra”, mas ainda assim ele sempre foi um exemplo de dedicação. A sua fama de “bad boy” era importante para ele, mas quando estava com o time era um exemplo. Treinava o dobro do que todos os outros, se dedicava de uma forma que era impossível ser repreendido. Porque ele fazia isso? Rodman precisava dessa válvula de escape desse mundo tão regrado da NBA, mas quando estava em quadra sempre foi reconhecido como o melhor jogador defensor da liga. Ele sabia onde errava, sabia seus pontos fracos, e por isso se dedicava muito mais do que todos os outros. Ele reconhecia os seus defeitos e os assumia, isso fazia com que o time reconhecesse ainda mais as suas qualidades e entendesse seus pontos fracos.

Episódio 4

Escolha bem seus líderes

Em 1986, Doug Collins começou a treinar o Bulls, que já tinha na base do seu time MJ e Pipen, entre os melhores jogadores da NBA, mas ainda assim não conseguia levar o time ao título, chegando com poucas chances nos playoffs. Foi quando teve sua chance o jovem, até então assistente, Phil Jackson. As peças já estavam postas, mas faltava um acerto final. Então a visão e a experiência de Phil fez com que alguns dos mais valiosos jogadores de basquete de todos os tempos passassem a trabalhar não como excelentes jogadores, mas como uma equipe. Não é raro vermos equipes e empresas compostos de grandes estrelas, os melhores em suas áreas, dando errado. Por quê? Eram estrelas que brilhavam sozinhas, extremamente competentes no que faziam, mas ainda assim não sabiam trabalhar em conjunto e muito menos criar uma equipe.

Episódio 5

Ensine os que estão chegando

Paulo Freire uma vez disse que “Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender.” Será que a sua empresa tem trabalhado na formação de novas lideranças? O melhor cenário numa empresa é ter o seu próprio programa de formação de lideranças, mas para isso é preciso ensinar. Kobe Bryant foi 5 vezes campeão da NBA (uma a menos que MJ), mas um dia ele também foi um novato e Jordan já era a grande estrela. Em 1998, eles se encontram no All Star Game (o jogo com os melhores jogadores da NBA). MJ já tinha 5 títulos na época e estava no seu 11º All Star Game, mas Kobe estava no seu primeiro. Na época Kobe tinha dificuldade no gancho, e MJ com toda sua experiência, mesmo em times diferentes no All Star Game e na NBA, ensinou com perfeição a técnica. Kobe na época era uma estrela em ascensão, mas brilhou tanto quanto o seu professor. Anos depois Kobe conta essa história e de como MJ ajudou na sua formação. O quanto você tem treinado sua equipe para futuros cargos de liderança? O quanto você tem ensinado aqueles que estão chegando?

Episódio 6

Como você se motiva?

De onde você tira motivação para os seus projetos? Para lutar por novas vitórias? De onde você tira motivação para sempre continuar e nunca desistir? O que te motiva? Michael Jordan tirava motivação de absolutamente tudo. Foi jantar em um restaurante onde o jogador adversário não o cumprimentou? No próximo jogo MJ jogava muito melhor do que ele. A imprensa disse que outro jogador era melhor? Era o suficiente para que MJ fizesse um jogo muito melhor. A imprensa dizia que outro time era favorito? O Bulls simplesmente vencia de lavada. A cada noticia negativa sobre ele, cada vez que diziam que a sua fase tinha acabado ele ia lá e fazia melhor. Ele buscava motivação de qualquer coisa. E você, de onde tem tirado a sua motivação?

Episódio 7

Não deixe seu time na mão

Michael Jordan se aposentou em 1993, retornando em 1995. Nesse momento Scottie Pipen, que era o segundo melhor jogador da NBA, precisou assumir o manto da liderança e manter o time mais unido do que nunca. Mas o que ele fez foi o contrário: ele novamente deixou o time na mão (como fez anteriormente em – episodio 2 – Valorize a sua equipe). Em um momento crucial do jogo Pipen achava que a bola final deveria ir para ele, mas Phil Jackson achou melhor outro jogador dar o último arremesso, o que fez com que Pipen, que tinha um papel defensivo muito importante, desistisse do jogo e abandonasse a quadra. A vitória em quadra acabou acontecendo, mas a confiança demorou a ser restabelecida. Como um membro da equipe, ele tinha deliberadamente deixado o time na mão, abandonado os colegas. No caso Pipen vs time, ele recebeu uma segunda chance, em nossas empresas às vezes não existe uma nova chance.

Episódio 8

Não adianta ter o melhor, é preciso ter uma equipe

MJ precisou aprender essa lição. Quando jovem tentava ganhar todos os jogos sozinho (ok, muitas vezes na carreira ele fez isso), mas até então ele nunca tinha sido campeão, para isso ele precisava de um time. Em diversos momentos não foi ele que fez a cesta final, o ponto da virada, foi alguém da equipe e todos cumpriram seus papéis para conquistar aquele objetivo. O mesmo acontece na sua equipe, no seu escritório. Não adianta você ter uma super estrela na equipe quando os outros componentes não colaboram, não ajudam e não cumprem com excelência as suas funções. A equipe precisa ser construída pensando no sucesso coletivo.

Episódio 9

Você fez absolutamente tudo que você podia para conquistar o teu objetivo?

Quando você alcança, ou não um objetivo, você consegue com segurança dizer “eu fiz tudo que era possível”? E quando você diz isso, no seu íntimo você realmente fez? Você cuidou de todos os detalhes daquele projeto, conferiu todas as referências, checou todos os cálculos?

Em 1997, o Bulls estava jogando as finais da NBA contra o Utah Jazz, numa série que estava empatada com duas vitórias para cada lado. Na noite antes do jogo, já no hotel, MJ sentiu fome e pediu uma pizza. Logo ele começou a vomitar e chamou o serviço médico. Passou a noite vomitando, teve febre de 40ºC, mas ao anoitecer lá estava ele no estádio do Utah, pronto para o jogo mas mal se aguentando em pé. Resultado: ele jogou por 44 minutos e marcou 37 pontos, levando o Bulls à vitória. Nesse dia MJ pôde dizer para si mesmo “eu fiz tudo que era possível”. E você, tem feito?

Episódio 10

Esteja sempre no presente

MJ disse “como vou pensar se vou errar um arremesso que eu ainda nem fiz?” Uma das maiores habilidades de Jordan era estar focado no presente. Quando lhe perguntavam sobre os títulos anteriores ele dizia que aquilo era passado e o que importava era o jogo de hoje. Quando lhe perguntavam o que faria se ganhasse a temporada, ele dizia que não sabia, que o importante era o jogo de hoje, pois sem ele não chegaria até lá. MJ sempre esteve focado no presente, o agora sempre era o mais importante, se estava no treino, estava focado totalmente no treino. Se estava no jogo não pensava no final do tempo, nem mesmo no 2º período, ele pensava em como naquele momento, com a bola na mão, poderia converter a cesta. Nesse momento no que você está pensando? Numa glória ou problema do passado? No que você quer fazer no futuro? Ou a sua dedicação é ao que você está fazendo agora?

Uma última lição

Existe um tema que é comum em quase todos os episódios: não desista nunca. O basquete é um esporte em que muitas vezes a vitória vem apenas no último arremesso, que acontece no último segundo. Em 1989, no jogo contra os Cleveland, o Bulls perdia por um ponto. Faltando 3 segundos, MJ faz a cesta da vitória. Em 1993, contra o Suns, o Bulls perdia por 2 pontos, e só uma sexta de 3 pontos os levaria à vitória. Faltando 5 segundos, Paxton faz os 3 pontos, levando assim o terceiro título consecutivo. Em 1997, o jogo final da NBA estava empatado e Steve Kerr, faltando 5 segundos, faz a cesta de 2 pontos que garante o quinto título. E por último, no último título de MJ, o Bulls perdia o jogo por um ponto. Faltando 6 segundos, Jordan faz a cesta de 2 pontos, ficando um ponto na frente e ganhando assim o seu sexto e último título. O que aprendemos com isso? Não podemos desistir até o final. A vitória sempre pode vir nos últimos segundos.

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